Manaus (AM) – A dificuldade para contratar profissionais qualificados tem se tornado um dos principais desafios das empresas brasileiras, mesmo em um cenário de maior cautela econômica. Segundo o ICRH, 78% das empresas enfrentam dificuldades para preencher vagas, reflexo direto da escassez de talentos, do baixo desemprego entre profissionais qualificados e de mudanças no comportamento dos trabalhadores.
O estudo aponta que, apesar da queda de 3,1 pontos no índice de confiança, que passou de 38,6 para 35,5, 18% das empresas ainda pretendem contratar mais nos próximos meses. O dado mostra resiliência do mercado, mesmo em um cenário de juros altos, inflação, instabilidade do câmbio e crescimento econômico mais moderado previsto para 2026.
Para Gabrielle Rodrigues, especialista em Gestão de Empresas, o dado evidencia um paradoxo importante do mercado atual.
“Vivemos um cenário em que as empresas estão mais cautelosas, mas o talento qualificado continua escasso. Isso exige uma mudança de mentalidade: não basta apenas abrir vagas, é preciso ter estratégia, posicionamento e proposta de valor clara para atrair e reter profissionais”, analisa Gabrielle.
Fatores de grande procura
Outro ponto de destaque é a mudança nas prioridades dos profissionais. Fatores como benefícios, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, oportunidades de crescimento, modelo de trabalho (presencial, híbrido ou remoto) e localização do escritório têm peso decisivo na escolha de uma nova oportunidade, muitas vezes superando o salário.
“Hoje, o profissional avalia a empresa como um todo. Cultura organizacional, liderança, flexibilidade e perspectivas de desenvolvimento são determinantes. As empresas que não se adaptarem a esse novo perfil tendem a perder competitividade na disputa por talentos”, reforça Gabrielle.
O que a empresa deve fazer?
Entre os recrutadores, o índice aponta queda na avaliação da economia e do mercado de trabalho, além de redução na intenção de contratar e aumento na intenção de demitir, sinalizando um ambiente mais defensivo. Ainda assim, especialistas alertam que adiar decisões estratégicas pode gerar riscos no médio prazo.
“A falta de planejamento pode resultar em gargalos operacionais, sobrecarga de equipes e pressão salarial no futuro. O momento pede equilíbrio entre prudência financeira e investimento inteligente em pessoas”, conclui Gabrielle Rodrigues.







