Manaus (AM) – O auditor-fiscal da Receita Federal, Vitor Neves, detalhou o funcionamento das unidades caninas de fiscalização no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, durante entrevista ao programa Brasil Urgente Amazonas desta última quinta-feira (29), apresentado pelo jornalista Eduardo Galvão.
O auditor explicou como os cães, conhecidos como “agentes caninos”, são peças fundamentais para identificar ilícitos em bagagens e cargas naquele que é considerado o terceiro maior aeroporto do país em movimentação de cargas. Segundo Neves, o uso desses animais permite fiscalizar um volume muito maior de mercadorias com alta precisão, detectando itens que muitas vezes passam despercebidos por tecnologias como o raio-x.
Eficiência e imparcialidade na fiscalização
Durante a conversa, Vitor Neves destacou que a principal vantagem do uso de cães é a capacidade de realizar o trabalho de forma mais assertiva e sem os preconceitos inerentes ao ser humano. O auditor ressaltou que, diferentemente dos agentes humanos, que podem se deixar levar pela aparência ou comportamento do passageiro, o animal foca exclusivamente no odor.
“O cão, ele não tem vieses… ele é imparcial. Ele consegue a bolinha se ele achar a droga. Então, por isso, ele vai atrás da droga”, explicou Neves. Além de entorpecentes, o faro apurado dos animais — que chega a ser até 100 mil vezes melhor que o humano — permite, mediante treinamento específico, a detecção de armas e grandes quantias de dinheiro.
Mitos sobre o vício e o método de recompensa
O auditor esclareceu um mito comum sobre o treinamento dos cães: a ideia de que os animais seriam viciados nas substâncias que procuram. Neves explicou que a motivação do animal é puramente lúdica. O cão associa o cheiro da substância ilícita à recompensa de brincar com seu brinquedo favorito, geralmente uma bola. “Ele é viciado em brincar, na realidade… a brincadeira da bola, ele recebe a bola no momento em que ele encontra a droga”, afirmou.
Na demonstração realizada no estúdio com o cão Argus, um Pastor Belga Malinois de quatro anos que atua no aeroporto, foi possível observar a “indicação passiva”. Ao localizar a mala suspeita, o animal deita ou senta, apontando o focinho para a origem do cheiro, aguardando o comando do condutor para receber sua recompensa.
Seleção rigorosa e treinamento
O processo para que um cão se torne um agente da Receita Federal é altamente seletivo. De acordo com o auditor, estima-se que a cada 18 cães avaliados, apenas três sejam selecionados para o treinamento, priorizando animais com instinto caçador. A preparação dura cerca de um ano, sendo dez meses de ambientação a diversos cenários — como contêineres e locais ruidosos — e um mês e meio final no Centro Nacional de Cães de Faro da Receita, em Vitória (ES), onde ocorre a integração final com o condutor.
Embora raças como o pastor alemão e o pastor belga sejam comuns devido ao perfil de trabalho, Neves mencionou o uso de outras raças, como o Border Collie, em ambientes com grande fluxo de pessoas, por serem vistos como menos ameaçadores por crianças e idosos.
Aposentadoria e vínculo com o condutor
Ao final da carreira, que ocorre em média aos oito anos de idade, o cão é aposentado. Vitor Neves explicou que, após anos de serviço prestado ao Brasil, o animal geralmente é adotado pelo seu próprio condutor, com quem desenvolve uma forte ligação emocional ao longo dos anos de trabalho conjunto. “Ele vai receber o direito de se aposentar, e vai seguir com o condutor dele, e vai virar um cachorro de casa”, concluiu o auditor.
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