O Brasil registra, diariamente, uma média de 200 pessoas desaparecidas, um dado alarmante que mobiliza autoridades na busca por soluções tecnológicas para reduzir o sofrimento de milhares de famílias. Somente nos dois primeiros meses de 2024, quase 10 mil pessoas desapareceram no país. Enquanto São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul concentram os maiores números absolutos, a Bahia lidera as estatísticas na região Nordeste. Diante desse cenário, ferramentas de reconhecimento facial e a estruturação de bancos de DNA tornaram-se aliadas fundamentais das forças de segurança.
Na Bahia, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) aposta nos chamados “olhos eletrônicos” para solucionar mistérios. O sistema de reconhecimento facial é capaz de transformar rostos em dados processáveis em tempo real. Para que a ferramenta funcione, é necessário que a família registre o desaparecimento na delegacia e forneça uma fotografia recente. A partir desse cadastro, qualquer passagem da pessoa por pontos estratégicos monitorados por câmeras gera uma resposta imediata.
Monitoramento em tempo real e resposta de campo
O funcionamento da tecnologia permite uma agilidade antes impossível nas investigações convencionais. Segundo o Tenente-Coronel Luciano Jorge, Diretor de Operações da SSP-BA, o sistema emite um alerta automático aos operadores assim que uma correspondência é identificada. “Nossos operadores validam protocolos internos e, automaticamente, é ativada uma equipe de campo mais próxima daquele desaparecido para que se dirija a ele e dê continuidade à ocorrência”, explica.
Essa prontidão tecnológica busca evitar que casos se prolonguem por anos, como o drama vivido por Ana Cristina Aguiar. Seu filho, William Aguiar Santos, de 28 anos, desapareceu em maio de 2024 após sair de Salvador para visitar parentes no interior do estado. Para famílias que enfrentam a ausência de respostas, a tecnologia representa a esperança de um desfecho, seja ele o reencontro ou, em casos mais graves, o direito ao luto.
A ciência do DNA como última fronteira
Nos casos em que não há imagens disponíveis ou quando a busca é por restos mortais, a perícia criminal utiliza a genética como chave definitiva. O processo envolve a coleta de amostras biológicas de familiares diretos para a determinação de perfis genéticos, que são inseridos no Banco do Estado da Bahia e, posteriormente, integrados ao Banco Nacional de Perfis Genéticos.
Luis Rogério Machado, diretor do Laboratório Central da Polícia Técnica da Bahia, detalha que o cruzamento de dados é abrangente. “Esse familiar que doou essa amostra terá o perfil genético confrontado com restos mortais no Brasil inteiro”, afirma. Essa integração nacional permite que uma pessoa desaparecida em um estado possa ser identificada em qualquer outra unidade da federação, garantindo que a ciência preencha as lacunas deixadas pela falta de testemunhas ou evidências visuais.







