Manaus (AM) – A rede pública de saúde passará a contar com o teste genético BRCA1/2, após aprovação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A medida foca no diagnóstico preventivo e de precisão focado no câncer de mama hereditário, e tem um prazo de até 180 dias para começar a valer em todo o país.
Essa incorporação tecnológica resulta de um forte trabalho de articulação coliderado pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) em parceria com a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama).
Um dos grandes articuladores do movimento em âmbito nacional foi o diretor-presidente da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (Fcecon), o médico mastologista, ginecologista e obstetra Gerson Mourão. Ele foi um dos nove especialistas designados pela federação em todo o Brasil para encabeçar as tratativas.
Mourão destaca que a decisão não só assegura à população o acesso a um rastreio de ponta, mas também passou por um rigoroso crivo para garantir a viabilidade e a sustentabilidade financeira dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).

“A vitória é de escala nacional para nós, porque pela primeira vez a gente está conseguindo colocar um teste de precisão, que é o teste do BRCA1, dentro da Conitec”, celebrou o diretor.
Mundialmente conhecido após a atriz Angelina Jolie passar pela triagem e optar por uma mastectomia preventiva ao testar positivo, o exame tem uma importância clínica fundamental. O médico explica o impacto do diagnóstico com base em dados alarmantes: “quando eles comparam a população geral de ter câncer de mama, que é em torno de 12% […] a chance de desenvolver esse câncer, ele salta de 12 para quase 80%”, afirma.
Contudo, o mastologista faz um alerta sobre a inovação: o SUS estabelecerá protocolos rigorosos de direcionamento, focando especificamente no grupo que engloba os 10% de casos de câncer com perfil hereditário.
“E como é que você suspeita que você possa pertencer a esse grupo? Quando você tem câncer de mama em homem na família, quando você tem câncer num parente que ele foi bilateral […] na mãe e irmã, em pessoa muito próxima de você, e quanto maior o número e quanto mais nova forem essas pessoas”, detalhou.
Com o parecer favorável em nível federal já assegurado, o foco do movimento agora se volta para a execução prática da política.
“A partir de agora, nós só esperamos que os estados todos façam a sua parte, cumprindo essa lei, que deve entrar em vigor depois de 180 dias”, concluiu o Dr. Gerson.







