Manaus (AM) – Em entrevista ao programa Brasil Urgente Amazonas da última terça-feira (13), a delegada Mayara Magna, titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), ao lado do apresentador, o jornalista Eduardo Galvão, destacou a intensificação das ações policiais da unidade especializada no combate à violência contra menores de idade no estado.
Segundo a autoridade, somente em 2025, a Depca efetuou mais de 400 prisões, reflexo tanto do aumento da criminalidade quanto do maior encorajamento da sociedade em denunciar os casos. A delegada alertou para os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024, que registrou quase 88 mil vítimas de estupro de vulneráveis no país, apontando o município de Itacoatiara como um dos pontos críticos no Amazonas.
Sinais de abuso e o papel da rede de proteção
Durante a entrevista, Mayara Magna enfatizou a dificuldade em identificar crimes sexuais, já que muitas vítimas não compreendem a situação de abuso. A delegada ressaltou a importância de observar mudanças repentinas de comportamento, como irritabilidade, medo excessivo de ficar sozinho ou queda no rendimento escolar.

“As crianças dão sinais. Somos nós, adultos, que precisamos estar mais atentos e acreditar no que a criança fala”, afirmou a titular, citando um caso recente em que a agressão foi descoberta por meio de um desenho feito pela vítima na escola.
A autoridade também criticou a persistência de uma mentalidade patriarcal que contribui para a perpetuação da violência doméstica. Segundo ela, a rede de apoio, que inclui o Conselho Tutelar e a Secretaria de Assistência Social, é fundamental para que a criança possa tratar o trauma após a atuação policial.
O perigo das “telas claras” e o crime dentro de casa
Um dos pontos de maior atenção na fala da delegada foi a vulnerabilidade de crianças e adolescentes no ambiente digital. Mayara explicou que criminosos utilizam redes sociais e jogos para manipular vítimas, criando uma “violência implícita” baseada na amizade antes da execução do crime. “Hoje, a violência não está só nas ruas escuras… a gente tem o crime dentro de casa, dentro das telas claras do telefone”, alertou, reforçando a necessidade de os pais monitorarem o acesso à internet.
Endurecimento de penas para Abandono de Incapaz
A titular da Depca trouxe atualizações jurídicas importantes sobre o crime de abandono de incapaz, que se configura no momento em que o responsável expõe a criança a risco, mesmo que nenhum dano físico imediato ocorra. Ela citou como exemplos o hábito de deixar crianças sozinhas em veículos ou sob os cuidados de outras crianças.
Magna informou que, a partir de 2025, houve uma alteração legislativa que tornou a punição mais severa: o crime passou de detenção para reclusão, com pena de 2 a 5 anos. “O legislador, percebendo que o abandono incapaz é um crime grave, ele já fez uma alteração dessa pena”, explicou.
Foco preventivo e ações para 2026
Ao analisar a mancha criminal de Manaus, a delegada pontuou que bairros como Jorge Teixeira e Cidade Nova lideram as ocorrências de estupro de vulneráveis, enquanto o Centro concentra casos de favorecimento à prostituição.
Para 2026, a perspectiva da DEPCA é ampliar as ações preventivas em escolas e realizar novas operações integradas. “Nosso foco sempre vai ser a proteção das crianças e adolescentes… para que a gente possa inclusive conseguir evitar que o crime ocorra”, concluiu a delegada, reforçando que o trabalho de proteção é prioridade para a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e o Governo do Estado.







