Brasil – O primeiro mês do ano é marcado por uma campanha voltada para a saúde mental: o Janeiro Branco, que tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância de cuidar da mente. Entre os desafios atuais que exigem atenção, a psicóloga Maria do Carmo Lopes, especialista em Saúde Mental, alerta para a hiperconectividade, especialmente associada ao uso intenso das redes sociais.
A longo prazo, diz a psicóloga, o uso excessivo incorre no risco de as pessoas desenvolverem comportamentos típicos da “nomofobia”, transtorno caracterizado pelo medo ou ansiedade intensa ao ficar sem acesso ao celular ou à internet.

“Um dos fatores que mais preocupam os especialistas é essa relação intensa e, muitas vezes, descontrolada com a tecnologia. Essa dependência constante de telas pode gerar ansiedade, irritabilidade, alterações no sono, dificuldade de concentração e até sintomas físicos”, explica.
De acordo com a psicóloga, os sinais de alerta incluem a necessidade contínua de checar o celular, irritação quando não é possível acessar redes sociais, comparação constante da própria vida com a dos outros, baixa autoestima, isolamento social e dificuldades em realizar tarefas simples sem o uso da tecnologia. “Pouco se fala, por exemplo, da perda de concentração em atividades fora do ambiente digital, o que já é um indicativo importante”, pontua.
Para evitar esse tipo de situação, Maria do Carmo destaca que o uso consciente da tecnologia é fundamental. Práticas como o detox digital, que é a redução do tempo de tela e a criação de momentos longe do ambiente virtual, ajudam a estabelecer uma relação mais saudável com os dispositivos e as redes sociais. “Praticar atividades físicas, desenvolver o hábito de leitura, ter hobbies, momentos de lazer em família e interação social presencial é de suma importância para a manutenção da saúde mental”, comenta.
Além do controle do uso de telas, a psicóloga reforça que hábitos básicos fazem grande diferença no bem-estar emocional, como manter uma boa qualidade do sono e alimentação equilibrada.
“No início do ano é comum as pessoas traçarem metas e prioridades, mas devem incluir nessa lista os cuidados com a saúde mental. Normalmente, as pessoas tendem a procurar a terapia quando já estão em sofrimento, mas o ideal é sempre priorizar seu bem-estar emocional, seja com terapia e também com boas práticas, até porque quando uma pessoa não está bem emocionalmente, ela tem dificuldades em executar qualquer outro objetivo”, destaca.
Maria do Carmo reforça que o acompanhamento psicológico permite o autoconhecimento, a prevenção de transtornos e o fortalecimento emocional. “Buscar ajuda não deve ser visto como último recurso, mas como parte de um compromisso contínuo consigo mesmo”, orienta a especialista, que realiza atendimentos individuais ou em grupos em seu consultório, localizado na rua Nicolau da Silva, nº 25, bairro São Francisco.







