Manaus (AM) – O naufrágio da lancha “Lima de Abreu XV”, ocorrido na tarde desta sexta-feira (13) no Encontro das Águas, em Manaus, resultou na morte de três pessoas e deixou sete desaparecidos. O comandante da embarcação foi preso em flagrante após sobreviventes relatarem que ele navegava em altíssima velocidade, supostamente disputando um “racha”, o que gerou revolta e protestos da população no porto da capital.
A tragédia interrompeu a viagem de dezenas de passageiros que seguiam para Nova Olinda do Norte. Além de uma mulher encontrada boiando e da criança que chegou sem vida ao Hospital João Lúcio —, as autoridades trabalham com a confirmação de sete pessoas ainda desaparecidas nas águas dos rios Negro e Solimões, junto de outra vítima. Cerca de 70 ocupantes foram resgatados com vida.
Prisão e Revolta Popular
O desembarque dos sobreviventes e da tripulação no porto de Manaus (Roadway/Ceasa) foi marcado por tensão. A Polícia prendeu o comandante da lancha ainda no local. A população presente, revoltada com os relatos de imprudência, manifestou-se contra o piloto, exigindo justiça. Testemunhas afirmam categoricamente que a lancha operava muito acima da velocidade segura, ignorando a instabilidade do rio para competir com outro veículo.
O Milagre no Cooler
Em meio ao caos, uma história de sobrevivência ganhou destaque. Um bebê prematuro de apenas cinco dias foi salvo após ser colocado dentro de um cooler térmico pelos passageiros minutos antes da embarcação submergir. A criança e a mãe, que havia ido a Manaus apenas para o parto, foram resgatadas. “Parece que foi Deus. Jogaram ele dentro do cooler e Deus arrastou ele pra perto do barco“, relatou uma socorrista em vídeo que viralizou nas redes sociais.
Alertas Ignorados
Vídeos gravados por passageiros momentos antes e durante o acidente corroboram a tese de negligência. Em um dos registros, uma mulher à deriva, apoiada em um colete, desabafa: “Eu falei para o moço ir devagar, que não era brincadeira o banzeiro”. A força das águas na confluência dos rios, somada à suposta alta velocidade, teria desestabilizado a lancha.
Operação de Resgate e Resposta
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) mobilizou militares, mergulhadores e três lanchas, com apoio aéreo de um helicóptero da Marinha do Brasil. A empresa Lima de Abreu Navegações emitiu nota afirmando que a embarcação estava regular e com inspeções em dia, comprometendo-se a prestar assistência às famílias, embora as causas oficiais ainda estejam sob investigação da Capitania Fluvial.
Confira a nota da empresa na íntegra
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