Manaus (AM) – Ouvir áudios em velocidade acelerada, irritar-se com a lentidão da internet ou sentir estresse com pequenos atrasos tornaram-se comportamentos comuns na rotina moderna. Esse fenômeno, impulsionado pela cultura do imediatismo, tem transformado a espera em um gatilho para o esgotamento mental, afetando a forma como as pessoas lidam com frustrações e cobranças cotidianas. Especialistas alertam que a busca por respostas instantâneas está criando um estado de alerta constante, prejudicando o equilíbrio emocional.
O peso da pressa no cotidiano
A pressa deixou de ser uma exceção para se tornar a regra no trânsito, nos restaurantes e até nas interações por aplicativos de mensagem. Para muitos, a sensação de que o tempo está sempre esgotando gera reações físicas e emocionais intensas. O vendedor John Oliveira relata o sentimento de impotência diante da espera: “A gente dá vontade de gritar sozinho, mas o cara tem que não pagar de doido, tem que ficar mudo mesmo”.

Como válvula de escape para essa tensão, alguns buscam atividades físicas extremas. A enfermeira Jurassi dos Santos, por exemplo, recorre à academia ou a corridas para gerenciar o estresse acumulado.

Segundo a psicologia, esse comportamento acelerado reflete uma tendência social de associar eficiência à rapidez, o que nem sempre corresponde à realidade.
A confusão entre importância e urgência
De acordo com a psicóloga Gizele Menezes, o imediatismo impacta diretamente o comportamento humano ao criar uma necessidade ilusória de resolver tudo no agora. “É uma tendência de você querer respostas a tudo sempre muito rápido, de associar a questão da eficiência com rapidez, de confundir importância com urgência“, explica a especialista.

Quando tudo é tratado como urgente, o corpo e a mente permanecem em um estado de vigilância que pode desencadear:
- Irritabilidade persistente;
- Quadros de ansiedade;
- Esgotamento emocional ou burnout.
Reeducação cerebral: a arte de saber esperar
Para reverter esse quadro, a solução reside na prática da paciência como uma habilidade a ser desenvolvida. A proposta não é aceitar tudo passivamente, mas entender que a vida possui ritmos que fogem ao controle individual. A Gizele Menezes sugere utilizar o próprio corpo para reeducar o cérebro por meio de pequenos exercícios de espera.
“A cada vez que você espera para responder uma mensagem, 30 segundinhos que seja… a cada vez que você está em uma fila para pagar um cinema e passa um tempo sem checar o celular, você está nesse processo de reeducação cerebral para que desenvolva cada vez mais essa habilidade de esperar”, orienta a psicóloga.
*Com colaboração de Raquel Gadelha e Josenilson Guerreiro
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