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CASO BANCO MASTER: Bancos digitais oferecem mais risco do que bancos tradicionais?

Especialistas explicam por que o risco financeiro depende da gestão, e não se o banco é digital

Redação por Redação
28 de janeiro de 2026
em DESTAQUE, ECONOMIA
Tempo de leitura: 4
0
CASO BANCO MASTER: Bancos digitais oferecem mais risco do que bancos tradicionais?

Caixa eletrônico Freepik

São Paulo (SP) – O avanço dos bancos digitais e fintechs transformou o sistema financeiro brasileiro nos últimos anos, ampliando o acesso a serviços bancários e reduzindo custos para milhões de consumidores. Mas episódios recentes envolvendo instituições de médio porte reacenderam uma dúvida recorrente: afinal, banco digital é mais arriscado do que banco tradicional?

Especialistas ouvidos pelo Band.com.br afirmam que a resposta curta é não necessariamente. O risco, segundo eles, não está no fato de a instituição ser digital, mas sim na qualidade da gestão, no modelo de negócios e no apetite ao risco adotado.

Formato não define risco

Para Cleveland Prates, professor da FGV Direito SP, existe uma confusão comum entre formato e risco. “Não é uma questão de ser fintech ou banco tradicional. O risco de quebra está muito mais ligado ao tipo de crédito concedido, aos investimentos realizados e à gestão de risco”, explica.

Segundo ele, há fintechs com Índice de Basileia — indicador que mede a capacidade de um banco absorver perdas — mais elevado do que o de grandes bancos tradicionais. “Isso mostra que algumas instituições digitais têm, inclusive, mais capital proporcionalmente para enfrentar problemas”, afirma.

O papel do crescimento acelerado

Já Hugo Garbe, professor do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas da Universidade Presbiteriana Mackenzie, destaca que o risco aumenta quando instituições digitais crescem de forma muito rápida, sem que os controles acompanhem esse ritmo.

“Fintechs operam com marcas digitais e uma base de clientes que se movimenta muito rápido. Em um cenário de estresse, a saída de recursos pode acontecer em questão de horas, o que exige gestão de liquidez muito bem estruturada”, afirma.

Segundo Garbe, fatores como concentração de funding, dependência excessiva de poucos produtos e assimetria de informação para o público são pontos que merecem atenção — mas não são exclusivos das fintechs.

Bancos tradicionais também falham

O professor de Administração da ESPM, Jorge Ferreira, reforça que bancos tradicionais não estão imunes a problemas. “Instituições grandes e antigas podem ter estruturas mais robustas, mas, se forem mal geridas, também acumulam riscos que demoram a aparecer”, explica.

Ele lembra que bancos tradicionais contam, em geral, com base de depósitos mais estável, maior diversificação de receitas e estruturas de compliance construídas ao longo de décadas. Ainda assim, isso não garante blindagem total. “Tamanho ajuda, mas não é uma garantia absoluta”, resume.

Fintech não é banco — e isso importa

Outro ponto levantado pelos especialistas é a diferença regulatória entre bancos, instituições financeiras e fintechs. Muitas fintechs não são bancos múltiplos, mas sim instituições de pagamento ou de crédito, com exigências de capital mais leves.

“Durante muito tempo houve uma confusão no mercado, com fintechs sendo tratadas como bancos. O Banco Central vem corrigindo isso justamente para dar mais clareza ao consumidor”, explica Ferreira.

Essa distinção é fundamental porque impacta diretamente quais produtos são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e quais riscos o cliente está assumindo.

Basileia alto não é garantia absoluta

O Índice de Basileia é um dos principais termômetros da saúde financeira de uma instituição, mas, segundo os especialistas, não deve ser analisado isoladamente.

“Um Basileia elevado reduz o risco de insolvência, mas não elimina riscos de liquidez, governança ou fraudes”, alerta Garbe.

Outros indicadores relevantes incluem qualidade da carteira de crédito, descasamento de prazos entre ativos e passivos, concentração de clientes e histórico de supervisão.

Onde o cliente deve ficar atento

Para o consumidor comum, os especialistas recomendam menos foco no rótulo “digital” ou “tradicional” e mais atenção a sinais práticos de risco, como:

  • Rentabilidade muito acima da média em produtos simples, como CDBs;
  • Campanhas agressivas e contínuas de captação;
  • Falta de transparência sobre produtos e riscos;
  • Notícias recorrentes sobre problemas de governança ou intervenção regulatória;
  • Concentração de recursos acima do limite do FGC em um único conglomerado.

Gestão importa mais que o formato

Na avaliação dos três especialistas, o debate sobre segurança financeira precisa evoluir. “O erro é achar que fintech é sinônimo de risco ou que banco grande é sinônimo de segurança”, afirma Cleveland Prates. “O que realmente importa é como a instituição gere riscos, crédito e capital.”

Por fim, os especialistas pontuam que bancos digitais e fintechs não são, por definição, mais arriscados do que bancos tradicionais.

O risco está na gestão, na governança e no modelo de crescimento, não no fato de a instituição operar por aplicativo ou agência física. Para o cliente, informação, diversificação e atenção aos sinais do mercado seguem sendo as melhores formas de proteção.

 

*Reportagem da página de Economia do site Band.com

*Texto por Gabrielle Pedro – Repórter

Tags: bancoDigitaleconomia

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