Manaus (AM) – A tela da Band Amazonas marcou, nesta terça-feira (4), a grande estreia do programa Band Mulher. Conduzido pela jornalista Kelly Abreu, o tema eleito para o primeiro dia foi segurança pública. O especial continua até a próxima segunda-feira (9).
Para debater o cenário da violência de gênero, do feminicídio e os desafios enfrentados pela rede de proteção, o estúdio recebeu a advogada e ativista da causa feminina Karla Carvalho, além de três nomes de peso da segurança do estado: as delegadas Débora Mafra, Larissa Barreto (titular da DECCIAM) e Patrícia Leão (titular da DECCM).
A complexidade da violência psicológica e a banalização do abuso
Durante a roda de conversa, a titular da Delegacia Especializada de Crimes contra as Mulheres (DECCM), Patrícia Leão, destacou que muitas vítimas demoram a romper o ciclo de abusos por não reconhecerem agressões que não deixam marcas visíveis no corpo.

“Geralmente a mulher acredita que é apenas a violência física e por isso que a gente faz um trabalho intensivo de prevenção, justamente para informar que além da violência física nós temos também a violência psicológica, que no meu ponto de vista é uma das mais graves que tem”, explicou a delegada, citando as humilhações e ameaças veladas.
A delegada Débora Mafra, que possui a experiência de 10 anos de atuação na delegacia da mulher, reforçou que o preconceito e a agressão perpassam todas as classes sociais. Ela fez um alerta severo sobre o perigo de se normalizar a violência cotidiana e chamou atenção para o crescimento da chamada violência vicária.

“Temos visto muitos casos da violência vicária, onde os pais matam os filhos, alguns acabam se matando também, para atingir a mulher (…) para que faça uma dor bem grande”, alertou Mafra.
O drama invisível da mulher idosa
Outro ponto fundamental do programa foi a vulnerabilidade das mulheres na terceira idade, frequentemente atacadas dentro do próprio lar por familiares. A delegada Larissa Barreto, titular da DECCIAM (voltada a crimes contra mulheres e idosos), explicou que o enfrentamento exige sensibilidade extra, pois as vítimas relutam em formalizar a queixa.

“Muitas vezes elas negam. E quando acontece reiteradas vezes, a gente começa a ter que ter um cuidado maior (…) porque é muito difícil você denunciar um filho, é muito difícil você denunciar um irmão”, pontuou.
Barreto ressaltou o importante apoio psicossocial prestado pelo Centro Integrado de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa (CIPID) e celebrou o impacto positivo de ações repressivas recentes, como as operações “Virtude” e “Levítico”, voltadas a garantir o respeito e a proteção a essas vítimas.
Um problema de toda a sociedade
Analisando a imensa carga que recai sobre as autoridades, a advogada e ativista Karla Carvalho enfatizou que a segurança feminina transcende o trabalho policial, configurando-se como uma questão de saúde pública. Ela citou a necessidade de efetivação das diretrizes de 2021 sobre a perspectiva de julgamento de gênero pelo Judiciário.

Carvalho elogiou o “milagre” diário operado pelas delegadas frente à imensa expansão territorial do Amazonas e à falta de aparato estrutural suficiente.
“O direito penal já vem quando já ocorreu a violência, quando o corpo caiu, quando foi violada a intimidade, quando vira estatística (…) a gente precisa estar nas escolas, nas igrejas, em todas as comunidades e todo mundo assumindo seu papel”, afirmou a advogada.
Canais de denúncia e próximos episódios
No encerramento das discussões, as autoridades reiteraram o apelo para que a população não silencie diante de abusos e utilize os canais oficiais para registrar denúncias, inclusive de forma anônima: Disque 100, 181 e o 197 da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM).
A apresentadora Kelly Abreu encerrou a estreia relembrando o público de que o Band Mulher 2026 continuará ao longo da semana abordando outras temáticas fundamentais do universo feminino, incluindo saúde, família e empreendedorismo.
Veja a estreia na íntegra







