No automobilismo, o caminho tradicional é quase uma regra de ouro: anos de aprendizado no kart, desde a infância, para só então sentir o peso de um cockpit de fórmula. No entanto, o jovem amazonense Bruno Brayan Carbajal, de apenas 16 anos, decidiu reescrever esse roteiro, trocando a cadência do aprendizado convencional pela urgência do talento puro.
Hoje, Brayan não é apenas um estreante na “Fórmula 1600”; ele é a prova viva de que a paixão e a determinação podem encurtar distâncias, tanto geográficas quanto técnicas.

Enquanto a maioria de seus adversários acumula troféus em pistas de kart por todo o país, Brayan Carbajal carrega consigo uma trajetória singular. Ele não passou pelo kartismo. Sua estreia no esporte a motor aconteceu diretamente nos monopostos da F1600 em 2026, um desafio que muitos considerariam arriscado, mas que ele encarou com a naturalidade de quem nasceu para acelerar.
A inspiração veio de forma moderna e visceral. Entre uma corrida de Fórmula 1 assistida pela TV e um vídeo que cruzou seu feed no Instagram, o jovem sentiu o chamado. “Nunca competi de kart, comecei já na fórmula. Eu comecei a acompanhar a Fórmula 1 e depois fui vendo outras categorias. Aí passou no meu Instagram um vídeo da 1600, e logo senti que era isso que eu queria: estar lá, competir, acelerar. E foi assim que tudo começou”, relembra o piloto.
Sair do Amazonas para buscar o sonho no automobilismo paulista exige mais do que habilidade ao volante; exige coragem para deixar as raízes e se adaptar a uma nova realidade. Atualmente residindo em São Paulo, Brayan conta com o suporte vital da equipe “Max Torque/Transamerica Berrini”.
O apoio do Transamerica Berrini vai além do patrocínio; é o suporte que garante sua hospedagem e preparação física e mental, permitindo que o jovem foque exclusivamente em dominar as curvas desafiadoras de Interlagos.
Para entender o feito de Brayan, é preciso entender a categoria. A Fórmula 1600 é considerada a maior “escola de pilotagem” do Brasil por um motivo: nela, o dinheiro não compra a vitória.
Utilizando motores 1.6 Zetec Rocam (os mesmos de modelos populares como o Fiesta), os carros são mecanicamente equivalentes. Como o desempenho dos carros é restrito por regulamento, o que decide a corrida é o braço do piloto e sua capacidade estratégica.

Com grids lotados, as disputas são intensas. O “vácuo” em Interlagos cria ultrapassagens constantes, exigindo nervos de aço dos competidores. Apesar da alta competitividade, a categoria se orgulha de um histórico impecável de segurança, sendo o ambiente ideal para a formação de novos nomes para a Fórmula 3 ou categorias internacionais.
O próximo desafio
O próximo desafio de Brayan Carbajal já tem data e local marcados. Nos dias 15, 16 e 17 de maio, os motores voltarão a roncar no Autódromo de Interlagos. Para Brayan, cada volta é uma oportunidade de validar sua escolha e mostrar que o talento amazonense tem força para brilhar no cenário nacional.
*Com informações de David Batista







