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Documentário sobre “Santa Etelvina” estreia no cemitério São João Batista

Filme produzido pela CM ArteCultura & Produções tem exibição marcada para 15 de maio, às 20h, em local com relação direta à memória da personagem

Redação por Redação
6 de maio de 2026
em CULTURA
Tempo de leitura: 4
0
Documentário sobre "Santa Etelvina" estreia no cemitério São João Batista

(Foto: Divulgação/ asscom)

O Cemitério São João Batista, em Manaus, recebe, no dia 15 de maio, às 20h, a estreia de Etelvina – A Ressignificação da Tragédia. O documentário, dirigido por Cleinaldo Marinho e produzido pela CM ArteCultura & Produções, marca os 125 anos do assassinato de Etelvina de Alencar, morta em 1901 na então Colônia Campos Sales, região onde hoje se situa o bairro que leva seu nome.

O filme percorre esse período por meio da história de Manaus para acompanhar como fiéis peregrinam até seu túmulo e ressignificaram sua morte trágica e violenta, transformando-a na chamada “Santa Etelvina”, em razão das graças a ela atribuídas. É a primeira vez em que será montada uma estrutura de exibição cinematográfica em um cemitério no Amazonas.

O diretor afirma que a escolha por realizar a estreia no cemitério não tem a intenção de transformar aquele espaço em um cenário.

“É, na verdade, a extensão da proposta do próprio filme, pois ali está guardada parte da memória de Etelvina de Alencar. Segundo Marinho, “É posicionamento. A arte e a cultura têm o poder de transformar um espaço de luto em um espaço de escuta, de converter a ausência em presença e o silêncio em voz. O cemitério é um acervo a céu aberto, onde a memória resiste, onde a tristeza, o amor e a fé se
manifestam em resiliência. Por que não ressoar a arte para deslocar sentidos, vislumbrando a
cultura de um lugar?”

Inaugurado em 1890, o cemitério está localizado na zona Centro-Sul de Manaus e foi reconhecido como Patrimônio Histórico do Estado do Amazonas. O tombamento se deve ao conjunto de suas construções, como a capela em estilo gótico, os pórticos e as sepulturas que apresentam relevância religiosa, histórica, cultural e arquitetônica.

O espaço reúne diferentes técnicas construtivas e materiais característicos de épocas passadas, incluindo cerâmica inglesa, esculturas artísticas e acabamentos marmorizados. Entre os elementos preservados, destaca-se
o antigo gradil, montado com rebites de ferro e anéis decorativos de chumbo, utilizados para reforçar a estrutura em um período anterior à solda elétrica. O cemitério também mantém um extenso acervo documental, com registros de sepultamentos que remontam a 1882.

O filme faz parte de um conjunto de trabalhos do diretor Cleinaldo Marinho em torno de trajetórias femininas apagadas ou marginalizadas na história do Amazonas. Embora o termo feminicídio seja recente, o documentário evidencia que as estruturas que o definem, como o controle, a posse, o ciúme e a dominação, atravessam gerações.

“O feminicídio é o assassinato de mulheres por serem mulheres. O caso da Etelvina reúne todos esses elementos. Ao revisitaro episódio, mostramos que essa violência é histórica e ainda persiste”, diz Marinho.

Em trabalhos anteriores, o diretor voltou-se para a vida da poetisa Violeta Branca, a primeira mulher a ingressar na Academia Amazonense de Letras, no espetáculo teatral Ritmos de Inquieta Alegria, baseado no livro homônimo. Em Ária – Fazendo a Vida Viver, reconstruiu a memória de Ária Ramos, artista de futuro promissor que teve fim trágico na Manaus da Belle Époque.

Com o mesmo compromisso, “trazer essas histórias para o centro, não apenas como personagens individuais, mas como expressões de contextos sociais, culturais e políticos mais amplos. Ao revisitar essas trajetórias, buscamos também reequilibrar narrativas e ampliar o repertório de memória da região”, reforça o diretor.

A atriz Rosana Neves, que já havia trabalhado com Marinho em Ária, retorna como protagonista na estrutura ficcional do filme.

“Foi um processo de descoberta, construção e responsabilidade. O que fica para mim é a força dessa mulher, que agora também faz parte da minha história como atriz”.

Para Marinho, a obra não pretende encerrar a história, mas abrir caminhos de reflexão sobre memória, violência, fé e construção social de narrativas. “É também um convite a pensar como transformamos dor em significado e como determinadas histórias persistem não apenas pelo que aconteceu, mas pelo que passam a representar.”

Etelvina – A Ressignificação da Tragédia é um projeto contemplado pelo Edital de Audiovisual da Lei Paulo Gustavo, via Concultura, com recursos do Governo Federal.

Ficha Técnica

  • Direção: Cleinaldo Marinho.
  • Roteiro: Black Marialva e Cleinaldo Marinho.
  • Produção Executiva: CM ArteCultura & Produções.
  • Direção de Produção: Denis Carvalho e Beto Padilha.
  • Direção de Fotografia: Lucio Silva.
  • Câmera: Ricardo Sassaki.
  • Câmera de Depoimentos: Jair Campos.
  • Assistente de Câmera: Marcos Antônio (Casca).
  • Maquinaria: Marcelo Silva (Marcelinho).
  • Elétrica: Nei Santos. Som Direto: Denny Gomes e Márcio Garcia Jr.
  • Masterização de Som e Trilha Sonora: Lucas Lima.
  • Edição e Finalização: Black Marialva.
  • Direção de Arte: Beto Padilha e Denis Carvalho.
  • Figurino: Cleide Santana (Nega).
  • Produtor de Objetos: Marcos Rodrigues (Marquinhos).
  • Cenotécnico: Fred Barbosa.
  • Contrarregras: Paulo Góes.
  • Logística Técnica: Erickson Fernandes.
  • Maquiagem: Eugênio Lima e Jamylle Jackson.
  • Comunicação: Rina Sales.
  • Legendas e Colorização: Daniel Castilho.
  • Identidade Visual: Jackson Matos.
  • Transporte: Ataliba Almeida.
  • Catering: Glaucia Mata.
  • Elenco: Rosana Neves, Neuriza Figueira, Ádria Alves, Larissa Baraúna, Dimas Mendonça, Márcio Braz, Fagner Coelho, Denis Carvalho, Jean Melo, Ruan Viana, Elizeu Melo, Giovana Bessa, Miro Messa e Raquel Cunha.
Tags: AmazonascemitérioCleinaldo MarinhoCM Arte CulturaculturadocumentárioestreiaEtelvina de AlencarFilmeManausnotíciaproduçãoSanta EtelvinaSão João Batista

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