A Amazonas Filarmônica apresenta, nesta quinta-feira (29/10), às 20h, no Teatro Amazonas, um concerto que reúne obras dos compositores Alberto Nepomuceno, Samuel Barber e Alexander Scriabin. Sob a regência do maestro Luiz Fernando Malheiro, diretor artístico e regente titular da Amazonas Filarmônica, a apresentação contará com a participação da soprano Daniella Carvalho e integra a Temporada de Concertos do Amazonas 2026.
O programa reúne quatro composições que exploram diferentes possibilidades expressivas da música de concerto, transitando entre a tradição musical brasileira, a sensibilidade da música norte-americana e a intensidade do repertório sinfônico russo. As obras abordam atmosferas que vão da contemplação e da nostalgia à grandiosidade orquestral, proporcionando ao público uma experiência musical marcada por contrastes e diferentes sonoridades.
A tradição musical brasileira de Alberto Nepomuceno
A abertura do concerto será dedicada ao compositor brasileiro Alberto Nepomuceno (1864–1920), com o Prelúdio de O Garatuja (1904), obra que integra sua produção musical inspirada na literatura e na cultura brasileira.
Considerado um dos principais nomes da música brasileira na transição entre os séculos XIX e XX, Nepomuceno desempenhou um papel importante na valorização de elementos nacionais na composição erudita, contribuindo para a construção de uma identidade musical brasileira.

O prelúdio foi concebido para uma ópera inspirada no romance O Garatuja, do escritor José de Alencar. A composição apresenta uma escrita orquestral que combina influências da tradição europeia com a busca por uma linguagem musical própria, característica da produção artística de Nepomuceno.
A execução da obra pela Amazonas Filarmônica abre a apresentação com uma referência à história da música brasileira e à contribuição de um de seus compositores mais importantes.
Sensibilidade e memória nas obras de Samuel Barber
Na sequência, o programa apresenta duas composições do norte-americano Samuel Barber (1910–1981), reconhecido pela expressividade de sua linguagem musical e pela capacidade de traduzir sentimentos e experiências humanas em suas obras.
A primeira delas será o Adagio para Cordas, Op. 11 (1936), uma das composições mais conhecidas do repertório orquestral do século XX. Caracterizada por uma melodia de desenvolvimento gradual e intensa carga emocional, a peça tornou-se uma referência musical associada à reflexão, à memória e à solenidade.
Originalmente concebida como movimento de um quarteto de cordas, a composição ganhou uma versão para orquestra de cordas que ampliou sua projeção internacional. Sua construção musical parte de uma atmosfera introspectiva e evolui progressivamente até alcançar um momento de grande intensidade expressiva.
Em seguida, a soprano Daniella Carvalho se junta à Amazonas Filarmônica para interpretar Knoxville: Summer of 1915, Op. 24 (1947), obra para voz e orquestra baseada em um texto do escritor norte-americano James Agee.
A composição retrata lembranças de uma infância no sul dos Estados Unidos, evocando a tranquilidade de uma noite de verão, os sons cotidianos de uma cidade e a percepção afetiva do ambiente familiar.
Com uma escrita musical delicada e narrativa, Barber estabelece um diálogo entre a voz solista e a orquestra, criando atmosferas que traduzem sentimentos de nostalgia, inocência e pertencimento.
A interpretação de Daniella Carvalho destaca a dimensão poética da composição, em uma obra que combina música e literatura para representar a memória e as experiências da infância.
O êxtase e a intensidade orquestral de Skriabin
Encerrando o programa, a Amazonas Filarmônica interpreta Le Poème de l’extase (O Poema do Êxtase), também conhecido como Sinfonia nº 4, Op. 54 (1908), do compositor russo Alexander Skriabin (1872–1915).
A obra é considerada uma das composições mais expressivas do repertório sinfônico do início do século XX. Com uma linguagem musical marcada por harmonias complexas, grande riqueza orquestral e contrastes de intensidade, a peça propõe uma jornada sonora associada à transformação, à transcendência e ao êxtase.
Diferentemente da atmosfera contemplativa das obras de Barber, O Poema do Êxtase explora a força da orquestra em uma construção musical contínua, que evolui por diferentes atmosferas até alcançar momentos de grande intensidade sonora.
A composição também reflete o interesse de Scriabin por questões filosóficas e espirituais, elementos que influenciaram sua produção artística e sua busca por novas formas de expressão musical.
Sob a regência de Luiz Fernando Malheiro, a interpretação evidencia a riqueza de timbres, as mudanças de intensidade e a complexidade da escrita orquestral do compositor russo.
O concerto estabelece, assim, um percurso musical que parte da tradição brasileira de Nepomuceno, passa pela sensibilidade e pela memória presentes nas obras de Barber e culmina na grandiosidade sinfônica de Scriabin, destacando a versatilidade artística da Amazonas Filarmônica.
Ingressos e acesso
O concerto acontece nesta quinta-feira (29), às 20h, no Teatro Amazonas, localizado no Largo de São Sebastião, no Centro de Manaus.
Os ingressos para plateia e frisas custam R`$ 10 (inteira), enquanto o acesso ao 1º, 2º e 3º pavimentos é gratuito, respeitando a capacidade de público do teatro.
Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro Amazonas ou pela plataforma ShopIngressos.







