Manaus (AM) – Manaus registrou uma queda expressiva nos índices de criminalidade relacionados a dispositivos móveis no início de 2025, consolidando os resultados de estratégias de segurança pública focadas em inteligência e rastreamento. Em entrevista ao programa Brasil Urgente Amazonas da última sexta-feira (16), o Delegado Bruno Hitotuzi, diretor do Núcleo de Investigação e Recuperação de Celulares (Nirc), revelou ao apresentador, o jornalista Eduardo Galvão, que a capital amazonense obteve uma redução de 32% nos roubos de celulares em comparação ao ano anterior.
O resultado, de acordo com a autoridade policial, é fruto direto do programa RecuperaFone, que retirou a cidade da liderança nacional de roubos e furtos, posição ocupada em 2023.
O impacto dos números e a estratégia do Nirc
A mudança no cenário da segurança pública local envolveu uma série de operações integradas e investimentos governamentais. Segundo Hitotuzi, os esforços resultaram em 122 prisões, fiscalização de 126 estabelecimentos comerciais e a apreensão de mais de 7.500 aparelhos.
Para o delegado, o sucesso da operação não se deve apenas à repressão nas ruas, mas ao entendimento da cadeia econômica do crime. “O que a população enxerga, muitas das vezes, é aquele assaltante algoz, ali cometendo os roubos… Mas quem fomenta, quem movimenta esse mercado são as assistências que fazem o desbloqueio”, explica Hitotuzi. Ele destaca que combater o “receptador qualificado” — técnicos e lojistas que desbloqueiam e revendem os itens — é mais eficaz do que focar apenas no assaltante individual.
Tecnologia contra o crime: do Paredão ao Lojista
A tecnologia tem sido a principal aliada das forças de segurança. O delegado ressalta o uso do sistema “Paredão”, que rastrea veículos utilizados em assaltos, permitindo identificar criminosos que usam motocicletas para realizar “arrastões”. Além disso, o programa RecuperaFone Lojista foi criado para regularizar o mercado de assistência técnica.
Através de um sistema gratuito, empresários podem imprimir ordens de serviço e verificar a situação legal dos aparelhos deixados por clientes. “O lojista que quer trabalhar corretamente, ele vai guardar as informações do cliente”, afirma o diretor do Nirc, alertando que a falta de registro pode levar o comerciante a responder por receptação qualificada, com pena de até oito anos.
Para o cidadão comum que adquire um celular sem nota fiscal e abaixo do preço, o risco é o enquadramento em receptação culposa. No entanto, o programa foca na devolução: “Quando a gente notifica e a pessoa toma ciência de que é roubado, ela vai lá e devolve o aparelho, nós não fazemos o procedimento contra essa pessoa”, esclarece o delegado, reforçando que o foco da investigação continua sendo quem vendeu o item ilegal.
Como recuperar o aparelho roubado
Uma das chaves para o funcionamento do sistema é a colaboração da vítima. Hitotuzi enfatiza a necessidade DE registrar o Boletim de Ocorrência (BO) informando o número do IMEI do aparelho. “Fez formalmente esse boletim de ocorrência, a polícia já vai em busca do seu aparelho para fazer a apreensão e consequentemente a devolução”, garante.
Atualmente, o Nirc realiza a devolução dos aparelhos recuperados mediante agendamento e listas publicadas nos editais da Secretaria de Segurança Pública. O órgão iniciou inclusive um mutirão ativo, ligando para as vítimas e, em casos específicos, realizando a entrega domiciliar para zerar o estoque de itens recuperados.
O delegado projeta um 2026 de ainda mais eficiência, com foco na diminuição do tempo de espera entre o roubo e a recuperação. “Vamos recuperar mais, vamos devolver mais e trazer esse serviço para a população do Amazonas”, conclui Hitotuzi.
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