Manaus (AM) – Familiares e amigos do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, reuniram-se na noite deste sábado (29) na Paróquia Nossa Senhora das Mercês, localizada no conjunto Eldorado, bairro Parque Dez de Novembro, na zona Centro-Sul de Manaus, para a Missa da Esperança em sua memória. O evento, que teve início às 19h, foi aberto ao público e serviu como um momento de solidariedade e de reforço do clamor por justiça pela morte da criança.
O caso Benício, que ganhou ampla repercussão na mídia local e nacional, é tratado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) como homicídio doloso qualificado pela crueldade.
Presentes na Missa, os pais de Benício, Joyce Xavier e Bruno Freitas, expressaram a dor da perda e a determinação em buscar a punição dos responsáveis. A mãe de Benício, Joyce Xavier, enfatizou a necessidade de responsabilização dos profissionais envolvidos:

“A gente quer justiça, né? A gente quer que os envolvidos paguem, sofram as devidas punições, porque não podem passar impunes. A gente não quer outras crianças sofrendo, outras famílias sendo despedaçadas por causa de uma sucessão de erros”, afirmou.
O pai, Bruno Freitas, reiterou o desejo de ver a justiça cumprida.

“A partir desse momento, agora, nós estamos buscando responsabilizar os envolvidos pelo ocorrido com o nosso filho, que foi muito grave, então nós queremos principalmente a justiça, que todos paguem pelo que foi feito de tão errado com o nosso Benício Xavier de Freitas”.
Ato Público Marcado para Segunda-feira
Em busca de respostas, verdade e justiça, familiares e amigos de Benício convocam a população para um ato público nesta próxima segunda-feira (1/12).
A manifestação, que o grupo busca que seja pacífica, firme e solidária, está marcada para as 10h, em frente ao Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM), localizado na avenida Senador Raimundo Parente, nº 6, no bairro Flores, na zona Centro-Sul de Manaus.

Relembre o Caso Benício
Benício Xavier de Freitas deu entrada no Hospital Santa Júlia, no bairro Centro, no sábado (22) com tosse seca e suspeita de laringite. Segundo o pai, a médica prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, 3 ml a cada 30 minutos. A família chegou a questionar a técnica de enfermagem, pois Benício nunca havia recebido adrenalina pela veia, apenas por nebulização.
O menino morreu na madrugada de domingo (23) após receber uma dosagem incorreta de adrenalina por via intravenosa. A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) informou que a dose administrada a Benício teria sido 30 vezes superior ao recomendado.
Após a primeira aplicação, Benício apresentou piora súbita e foi levado para a sala vermelha. O quadro se agravou, e a criança sofreu pelo menos seis paradas cardíacas antes de falecer às 2h55 da madrugada.
Investigação e defesas
O caso envolve a médica Juliana Brasil Santos e uma técnica de enfermagem, que prestaram depoimento na sexta-feira (28) no 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Ambas foram afastadas das atividades pelo Hospital, que abriu investigação interna. O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) também abriu um procedimento para apurar a morte.
O delegado Marcelo Martins, do 24º DIP, apura o caso como homicídio doloso qualificado pela crueldade. Segundo a polícia, há suspeita de dolo eventual que decorre do suposto comportamento de indiferença da médica diante do risco à vida da criança. Testemunhas relataram que a médica teria demorado a prestar socorro após ser acionada, o que, para o delegado, evidencia “desprezo pela vida da vítima”. O pedido de prisão preventiva solicitado pelo delegado foi negado.
A médica Juliana Brasil Santos responderá ao processo em liberdade, após a Justiça do AM conceder um habeas corpus preventivo (salvo-conduto) na noite de quinta-feira (27). Para o judiciário, não havia elementos ou provas concretas que justificassem a prisão, e a medida seria desproporcional.
A defesa da profissional nega as acusações e afirma que ela agiu imediatamente, com “extrema proatividade e diligência”, alegando, ainda, que o erro teria ocorrido na aplicação feita pela técnica de enfermagem, que teria injetado o medicamento diretamente na veia, e não por nebulização, como a defesa afirma ter sido a prescrição. A defesa também alegou que a médica solicitou imediatamente um antídoto (Propranolol) e acompanhou Benício pessoalmente até a UTI.
Médicos experientes ouvidos no inquérito policial, porém, afirmaram que não existe medicação capaz de neutralizar uma overdose de adrenalina, restando apenas medidas de suporte clínico. Eles confirmaram o diagnóstico de superdosagem.
O Conselho Regional de Farmácia do Amazonas (CRF-AM) informou que, após vistoria técnica no hospital, constatou a ausência de análise farmacêutica prévia das prescrições nas farmácias satélites. O Conselho evidenciou que não houve participação do farmacêutico na dispensação do medicamento envolvido no óbito. O CRF-AM reforça que a presença do farmacêutico é requisito legal e essencial para a segurança dos pacientes.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam com novas diligências e que o inquérito deve ser concluído em até 30 dias. A família clama por justiça, pedindo que o que aconteceu com Benício “nunca mais aconteça” com outra família.







