A fumaça que voltou a encobrir Manaus nesta quarta-feira (9) pode ter origem distante da capital. Pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) apontam que partículas produzidas por queimadas no Sul do Amazonas, no Sul de Rondônia e no Norte de Mato Grosso estão sendo transportadas pelas correntes de vento em direção à Região Metropolitana.
O cenário ocorre durante o período de estiagem, quando as altas temperaturas e a vegetação mais seca favorecem a ocorrência e a propagação de incêndios em diferentes áreas do estado.
Qualidade do ar registra níveis preocupantes
Os dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da UEA, mostram que a concentração de poluentes também preocupa em municípios próximos a Manaus.
Iranduba e Manaquiri apresentaram classificação de qualidade do ar considerada muito ruim, enquanto Itacoatiara registrou condição moderada.
Na capital, sensores instalados em diferentes pontos identificaram níveis ruins de partículas finas (MP2,5). Durante a manhã, algumas estações registraram concentrações superiores a 100 µg/m³.
As partículas podem permanecer suspensas na atmosfera e ser transportadas por longas distâncias, dependendo das condições dos ventos.
Interior registra novos incêndios
Enquanto a fumaça chega à capital, municípios do interior do Amazonas também enfrentam ocorrências de incêndios.
Em Maués, as chamas atingiram a área próxima ao lixão e avançaram para regiões de vegetação. Em Barreirinha, também foram registrados incêndios em áreas de vegetação.
A combinação entre estiagem, calor intenso e vegetação seca contribui para que o fogo se espalhe com maior facilidade.
Amazonas teve mais de mil focos de calor
Levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) identificou 1.167 focos de calor no Amazonas entre os dias 1º e 7 de setembro.
A situação pode se agravar com a dificuldade de dispersão dos poluentes. Para esta quarta-feira (9), a previsão aponta ventos fracos em Manaus, condição que favorece a concentração da fumaça próxima à superfície.
Além disso, os termômetros podem chegar aos 36°C na capital.
A recomendação é que, durante períodos de maior concentração de fumaça, a população reduza a exposição ao ar livre e fique atenta a sintomas respiratórios, especialmente crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.







