Na noite de segunda-feira, 31 de agosto (31), uma liderança comunitária de 67 anos foi baleada por quatro agressores durante vigilância ambiental de quelônios na foz do rio Tapauá, Amazonas, em suposta retaliação a ações de fiscalização na região.
A vítima realizava a proteção de praias de desova de quelônios quando foi abordada pelos criminosos, que a agrediram na cabeça e dispararam duas vezes, atingindo sua orelha com um tiro de raspão. Os agressores também ameaçaram destruir as bases de vigilância comunitária existentes ao longo do rio Tapauá. O líder comunitário recebeu atendimento médico no município e seu estado de saúde é considerado estável.
Após buscas das forças de segurança locais, quatro suspeitos — três homens e uma mulher — foram localizados e presos pela Polícia de Tapauá na noite de quarta-feira, 2 de setembro (2). O caso segue em investigação pelas autoridades para esclarecer as circunstâncias exatas do atentado, e os detidos permanecem à disposição da Justiça.
Moradores da região suspeitam que a tentativa de homicídio tenha sido uma retaliação decorrente de uma grande ação de fiscalização contra crimes ambientais realizada dias antes pelo Ibama e pela Funai. O rio Tapauá abriga comunidades ribeirinhas e indígenas que dependem diretamente da pesca para alimentação e subsistência, desenvolvendo projetos de manejo sustentável do pirarucu e proteção territorial. No entanto, os moradores relatam que a continuidade desses resultados é ameaçada pela falta de infraestrutura e presença do Estado.
Uma liderança comunitária local, que também já sofreu ameaças na região, reforçou o clima de temor após o ocorrido: “É necessária uma atuação conjunta contínua para garantir a segurança das comunidades e a continuidade dos trabalhos ambientais prestados pelos moradores, que agora estão assustados e ainda mais vulnerabilizados”.
Como resposta à violência, o Coletivo do Pirarucu, grupo que representa cerca de 2.500 famílias ribeirinhas e indígenas, enviou nesta sexta-feira, 4 de setembro (4), véspera do Dia da Amazônia, uma carta urgente a diversas autoridades federais e estaduais. O documento exige a apuração rigorosa do crime, proteção imediata para as atividades de manejo previstas para 2026 e o reforço de órgãos públicos como a SEMA/AM, IPAAM, Ibama, ICMBio e Funai. A preocupação urgente é garantir a segurança do trabalho de preservação planejado pelas comunidades e pelo povo indígena Paumari entre os meses de setembro e novembro.







