O mês de agosto terminou com marcas preocupantes para os moradores da capital amazonense. De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Manaus viveu o mês de agosto mais seco dos últimos 40 anos. O volume acumulado de chuva ao longo dos 31 dias foi de escassos 2,4 milímetros — um cenário de aridez na série histórica que só perde para agosto de 1986, quando o volume registrado foi de 1,6 mm.
A única precipitação registrada na cidade em todo o mês ocorreu no dia 22 de agosto. A chuva trouxe um alívio momentâneo para as altas temperaturas, mas esteve longe de amenizar o déficit hídrico da região.
O Fator El Niño e a Ameaça aos Rios
O principal motor desse bloqueio atmosférico e da falta de nuvens é o fenômeno El Niño. A dinâmica altera a circulação de ar na região amazônica, provocando a chamada subsidência – o descendimento de ar seco que impede a formação de tempestades. A redução de chuvas no trimestre entre julho e setembro já era prevista pela climatologia local, mas a intensidade atual escancara a força do fenômeno.
A aceleração da descida das águas preocupa porque tende a se alastrar para outras bacias importantes da margem direita do rio Solimões, como os rios Tapajós, Xingu e Abacaxis, reacendendo o alerta para o isolamento de comunidades ribeirinhas e impactos no abastecimento.
Recordes de Calor
Além do tempo seco, os moradores enfrentam dias seguidos de calor extremo. Os termômetros em Manaus renovaram o recorde de dia mais quente do ano no encerramento do mês.
| Data | Temperatura Máxima |
| 31 de agosto | 37,3 ºC (Recorde de 2026) |
| 25 de agosto | 37,1 ºC |
| 26 de agosto | 36,9 ºC |
| 11 de agosto | 36,3 ºC |
| 10 de agosto | 36,2 ºC |
Tendência de Atraso no Período Chuvoso
O cenário para o último quadrimestre não traz perspectiva de alívio imediato. Modelos meteorológicos internacionais indicam que o El Niño deve atingir o seu ápice de intensidade entre outubro e dezembro.
Com isso, o início da tradicional estação chuvosa na Amazônia deve ser atrasado. As pancadas rápidas de vento e chuva, características da transição entre a seca e o inverno amazônico, costumam ganhar força em meados de outubro, mas este ano só devem se consolidar ao longo de novembro. Para setembro, a previsão indica temperaturas até 1,5 ºC acima da média histórica, mantendo Manaus e municípios como Parintins e Nhamundá sob calor rigoroso.







