Manaus (AM) – A onça-pintada macho Guardião, abrigada no zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), em Manaus, conquistou o título oficial do Guinness World Records como a mais velha do mundo em cativeiro. O recorde foi verificado após o felino atingir a marca histórica de 25 anos e 90 dias de vida. O reconhecimento reflete um trabalho contínuo de preservação e acompanhamento técnico multidisciplinar conduzido pelo Exército Brasileiro no estado do Amazonas.
Vitalidade e rotina veterana no CIGS
Com mais de duas décadas de cuidados contínuos no zoológico, Guardião ostenta uma rotina adaptada à fase sênior, mantendo o comportamento ativo característico de felinos mais jovens. O animal conta com o acompanhamento diário de uma equipe formada por veterinários, bióloga e tratadores, que monitoram sua saúde, alimentação e enriquecimento ambiental.
A rotina diária inclui até quatro refeições balanceadas e fracionadas, além do uso de suplementação de condroitina para a proteção articular e manejo adaptado ao desgaste natural dos dentes. Segundo a médica-veterinária do CIGS, Tenente Siqueira, o comportamento do felino impressiona pela energia e movimentação no recinto.

“Ele anda com muita facilidade, ele nada ainda em ocasiões, principalmente nesse período muito quente, a gente ainda observa a nadadura dele e ele é bem ativo. A gente até brinca que o Guardião, às vezes, é mais ativo do que as onças mais jovens”, relata a Tenente Siqueira.
Além das caminhadas pelas trilhas do recinto, o animal faz uso de estruturas elevadas e passa por avaliações veterinárias periódicas — com exames de sangue, raios X e ultrassonografia a cada três meses —, priorizando procedimentos sem a necessidade de contenção química.
Do resgate na fronteira ao símbolo amazônico
A trajetória de Guardião começou com um episódio de superação na fauna amazônica. Nascido em março de 2001, no município de Tabatinga, na tríplice fronteira, o animal perdeu a mãe ainda filhote em decorrência da caça ilegal. Acolhido inicialmente pelo Exército no Parque Zoobotânico Cultural do Comando de Fronteira Solimões, ele foi transferido para a capital em agosto de 2007, passando a viver no zoológico do CIGS.

Desde então, o animal tornou-se o símbolo mais longevo da unidade militar e vive em um recinto preparado de forma individualizada para receber seus cuidados diários. Ao chegar aos 25 anos com saúde e vitalidade, Guardião consolida-se como um verdadeiro embaixador da preservação da biodiversidade amazônica.






