Manaus (AM) – Durante o período de férias escolares, a mudança na rotina de crianças e adolescentes tem elevado a preocupação de especialistas com a saúde visual, uma vez que o tempo livre costuma ser preenchido com o uso intensivo de videogames, celulares e tablets. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou um aumento de 15% nos atendimentos por doenças oculares pelo SUS entre 2023 e 2024, saltando de 10,9 milhões para 12,6 milhões de procedimentos. O cenário reforça a necessidade de vigilância dos pais e a importância de exames preventivos antes do retorno às aulas.
O impacto das telas no cotidiano dos estudantes
A estudante Laura Rocha exemplifica a realidade de muitos jovens brasileiros. Com o hábito de jogar videogame como atividade preferida nas férias, ela viu sua saúde visual se desgastar rapidamente. Laura começou a utilizar óculos aos 12 anos com 1,5 grau, mas, devido ao uso excessivo de telas, sua graduação subiu para 2,5.

Para evitar o agravamento da condição, ela agora busca alternativas para descansar a visão. “Eu ajudo em casa, faço às vezes a comida, o almoço… tudo isso que é para não ficar focada só em telas”, explica a estudante. Além das tarefas domésticas, a jovem intercala a tecnologia com a leitura para não forçar excessivamente os olhos.
Sinais de alerta para os pais
Muitas vezes, a dificuldade de visão pode ser confundida com problemas de aprendizado ou comportamento. O autônomo Vitor Santos, pai de Laura, percebeu que algo estava errado quando a filha apresentou dores de cabeça, visão embaçada e queda no rendimento escolar.

“Eu via que algumas dificuldades não eram por déficit de atenção ou nada, é por problema de vista mesmo”, relata Vitor. Ele conta que, após procurar um especialista, foi identificado que a dificuldade na leitura era a causa do prejuízo no aprendizado da filha.
Recomendações médicas e limites de tempo
O oftalmologista Rafael Pereira alerta que a exposição prolongada a dispositivos como notebooks e smartphones é um fator de risco direto para o desenvolvimento de condições como a miopia. Para proteger os olhos das crianças, o especialista recomenda diretrizes rígidas de tempo de uso:
- Crianças de 0 a 2 anos: Não devem ser expostas a telas.
- Crianças de 2 a 5 anos: O limite máximo recomendado é de uma hora por dia.

De acordo com o médico, o período de descanso das aulas deve ser aproveitado também para realizar um check-up oftalmológico completo. Garantir que a saúde ocular esteja em dia é fundamental para que o aluno inicie o novo período letivo sem prejuízos ao seu desenvolvimento e bem-estar.
*Com colaboração de Ana Beatriz Ferreira e Márcio Pinto
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