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“Corpos que Dançam, Mundos que Sentem” realiza atividades com alunos da Educação Especial da Escola Fueth Paulo Mourão Através da dança, artes visuais e música

Projeto reuniu mais de 100 crianças e adolescentes especiais e do ensino regular para potencializar o trabalho de acessibilidade pedagógica na unidade

Redação por Redação
23 de setembro de 2026
em CULTURA
Tempo de leitura: 4
0
"Corpos que Dançam, Mundos que Sentem" realiza atividades com alunos da Educação Especial da Escola Fueth Paulo Mourão Através da dança, artes visuais e música

(Foto: Divulgação/ asscom)

Manaus (AM) — Em um cenário em que a acessibilidade na educação pública ainda enfrenta grandes desafios, a arte se apresenta como uma possibilidade direta de comunicação, estimulação cognitiva e pertencimento. Na Escola Estadual Cívico-Militar Fueth Paulo Mourão, no bairro São Jorge, em Manaus, o projeto “Corpos que Dançam, Mundos que Sentem” envolveu mais de 100 alunos (prioritariamente da educação especial) da Escola Estadual Cívico-Militar Fueth Paulo Mourão, no bairro São Jorge, em uma experiência integrada de dança, artes visuais e música.

Estruturada durante a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, a iniciativa ocupou a sala de aula com cores, sons, movimentos e escuta, mostrando como a criação artística ressignifica o aprendizado e valida as diferentes formas de sentir o mundo.

Idealizado para acontecer durante a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, o projeto “Corpos que Dançam, Mundos que Sentem” reuniu mais de 100 crianças e adolescentes da Educação Especial e do ensino regular. Mais do que uma sequência de oficinas de dança, música e artes visuais, a iniciativa também contribuiu para potencializar o trabalho de acessibilidade pedagógica desenvolvido na escola, através da criação e desenvolvimento de uma experiência sensorial única e compartilhada, que foi muito super bem recebida pelos alunos.

"Corpos que Dançam, Mundos que Sentem" realiza atividades com alunos da Educação Especial da Escola Fueth Paulo Mourão Através da dança, artes visuais e música
(Foto: Divulgação/ asscom)

A ação foi viabilizada pelo Edital de Fomento Cultural Multilinguagens da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB AM), com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e do Governo do Amazonas.

O encontro de linguagens e a quebra de barreiras

A programação foi desenhada de forma contínua e integrada. No primeiro dia, as oficinas de dança conduzidas por Rayssa Oliveira e Charles Alfaia convidaram os alunos a explorar o corpo que dança, a autonomia e o uso do espaço. No dia seguinte, as artes visuais assumiram a cena com as artistas Hadna Abreu e Gisele Riker, estimulando a comunicação não verbal por meio de texturas, tintas e experimentações táteis inspiradas na natureza e na Amazônia.

"Corpos que Dançam, Mundos que Sentem" realiza atividades com alunos da Educação Especial da Escola Fueth Paulo Mourão Através da dança, artes visuais e música
(Foto: Divulgação/ asscom)

O auge do projeto ocorreu em 24 de agosto, quando um happening integrado uniu som, gesto e imagem em tempo real, transformando o ambiente escolar em espaço artístico de performance coletiva. Por fim, a oficina musical regida por Abner Viana e Matheus Gondim encerrou o ciclo utilizando ritmo e escuta ativa como ferramentas neuropsicopedagógicas.

“A arte não tenta padronizar corpos ou comportamentos; pelo contrário, ela valida a singularidade de cada estudante. Quando oferecemos dança, música e pintura a uma criança da Educação Especial em um espaço de convivência com a educação regular, estamos dizendo a ela que sua forma de sentir o mundo é legítima e necessária. O corpo que dança aqui é um corpo que reivindica seu direito à presença”, destaca Rayssa Deschain, artista, professora, doutoranda pela UEA e coordenadora do projeto.

Inclusão real: quando a sala de aula se expande

Um dos pontos de destaque da iniciativa foi promover a convivência direta entre alunos da Educação Especial e do ensino regular ou típico, quebrando estigmas a partir do fazer artístico conjunto — por meio de conceitos de arte, ritmo, dança, música, desenho, cores, escuta coletiva e pertencimento — que serviram como fio condutor para as atividades.

"Corpos que Dançam, Mundos que Sentem" realiza atividades com alunos da Educação Especial da Escola Fueth Paulo Mourão Através da dança, artes visuais e música
(Foto: Divulgação/ asscom)

Para o músico, pesquisador e neuropsicopedagogo Abner Viana, a resposta dos estudantes reforça o impacto neurocognitivo e social da abordagem artística na rede pública de ensino:

“A música e o estímulo rítmico funcionam como pontes diretas de comunicação para alunos com deficiência intelectual ou múltipla.Vimos crianças que raramente se engajavam em atividades coletivas encontrarem na música, uma forma de expressão. A neuropsicopedagogia aliada à prática musical mostra que não há limites para a aprendizagem quando o canal de acesso é o afeto e a sensibilidade.”

O legado pedagógico e o olhar para o futuro

Além das memórias afetivas registradas pelos estudantes e professores, o projeto gerou um acervo fotográfico e audiovisual produzido por Álvaro Mello, além de uma coordenação pedagógica estruturada por Elton Zhaga. O objetivo agora é transformar os registros em materiais de memória pedagógica que possam servir de referência para a aplicação de práticas inclusivas em outras escolas da região e também expandir o projeto em 2027.

A artista visual Hadna Abreu reflete sobre o poder transformador das artes plásticas no contexto amazônico:

“Trabalhar as artes visuais com essas crianças foi um exercício de redescoberta do próprio olhar. O objetivo ali não era utilizar formas prontas, cores e uma porção de materiais, mas conduzi-las a uma conexão com o território. O resultado não foram apenas telas pintadas, mas sorrisos de quem percebeu que pode criar, intervir e ressignificar o espaço onde vive através da arte.”

Com o encerramento do projeto, a Escola Estadual Fueth Paulo Mourão preserva mais do que registros nas paredes: deixa a marca de que a educação especial no Amazonas pode — e deve — ser um território vibrante de criação, acolhimento e cidadania.

Ficha Técnica e Créditos

  • Projeto: Corpos que Dançam, Mundos que Sentem – Vivências inclusivas na educação especial
  • Coordenação e Equipe Artística: Rayssa Deschain, Abner Viana, Hadna Abreu e Pablo Araújo
  • Colaboradores: Charles Alfaia (Dança), Riker Gi (Artistas Visuais), Matheus Gondim (Música) e Elton Zhag (Coordenação Pedagógica)
  • Identidade Visual: Arthur Old 78’s
  • Registro fotográfico e audiovisual : Álvaro Mello
  • Fomento: PNAB AM / Edital Multilinguagens (Edital nº 09/2025) – SEC-AM / Governo do Estado do Amazonas
  • Informações e Redes Sociais: @mundosquesentem

*Com informações de Wanessa Leal / Assessoria

Tags: alunosAmazonasatividadesBrasilCorpos que Dançamcriançaseducaçãoeducação especialescolaEspecialFueth Paulo MourãoManausMundos que Sentemprojeto

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