Manaus (AM) – Um motim de policiais militares presos na Unidade Prisional da Polícia Militar (UPPM-AM), no quilômetro 8 da rodovia BR-174, na zona rural de Manaus, mobilizou forças táticas de segurança na noite desta terça-feira (1). Os detentos exigem transferência para evitar contato com presos comuns e protestam contra novas regras de visitação.
De acordo com o relato de testemunhas, o tumulto começou após agentes comunicarem a mudança no calendário de visitas, que passaria de domingo para sexta-feira. Diante da revolta dos detentos com o aviso, quatro militares — um major, um aspirante a oficial e dois soldados — teriam sido mantidos como reféns. Uma versão apurada no local, contudo, indica que esses policiais recuaram e se trancaram em uma sala por segurança para evitar agressões.
O diretor do presídio também teria sido rendido temporariamente no início do motim e liberado logo em seguida. Para conter a crise e estabilizar os ânimos, a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) enviou o Batalhão de Choque e negociadores do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Representantes do Ministério Público do Amazonas (MPAM) e Defensoria Pública (DPE-AM) também se deslocaram ao complexo para mediar o conflito e acompanhar as demandas dos internos.
O secretário de Segurança Pública do Amazonas, Anézio Brito de Paiva, em entrevista a um veículo de comunicação local, minimizou a dimensão do episódio, rejeitando classificar a ocorrência como rebelião: “Não, é apenas uma questão de uma manifestação que está acontecendo lá na nossa unidade prisional, onde nós temos cerca de 70 presos militares”. De acordo com o titular da pasta, o caso foi isolado e as demais unidades prisionais do estado operam na normalidade.
Inaugurada em 12 de maio de 2026, a nova unidade prisional militar abriga policiais que respondem a diversos processos, como homicídio, extorsão e crimes sexuais. A transferência dos custodiados para o antigo Centro de Detenção Provisória Feminino ocorreu sob forte resistência de familiares devido à proximidade física com o Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), que foi cenário de um histórico massacre em janeiro de 2017.
Os policiais custodiados reclamam de problemas na alimentação, de insalubridade e de falta de segurança por compartilharem estruturas integradas com detentos comuns. Eles pleiteiam o retorno ao antigo presídio militar no bairro Monte das Oliveiras, que acabou desativado pelas autoridades após registrar graves falhas estruturais e fugas.







