A proprietária do tradicional Bar do Armando, Ana Cláudia Soeiro, revelou, no programa Amazonas Urgente desta terça-feira (14) que o estabelecimento corre sério risco de fechar as portas no Centro de Manaus. Ao apresentador, o jornalista Vitor Masullo, a empresária explicou o impasse judicial envolvendo o prédio de 63 anos e clamou por apoio político e popular para preservar o Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado.

A disputa judicial chegou a um estágio crítico após o esgotamento de todos os recursos na Justiça. O imóvel, localizado em frente ao Teatro Amazonas, pertence à Igreja Católica (Padres Capuchinhos/Diocese do Alto Solimões), que solicitou o espaço alegando uso próprio. Recentemente, o bar chegou a receber a visita de um oficial de Justiça com um mandado de despejo voluntário de 15 dias. Contudo, a ação foi temporariamente suspensa pelo vice-presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), desembargador Airton Gentil.
O processo agora será encaminhado às câmaras reunidas, com um prazo estimado de dois a três meses para um novo desfecho.
Com as vias judiciais esgotadas, Ana Cláudia ressalta que a salvação do bar depende da força política e da sociedade. Ela traçou um paralelo com um caso semelhante ocorrido em São Paulo em 2025, onde a forte comoção popular e a pressão midiática iniciaram um processo de tombamento do estabelecimento ameaçado.
“O que pode ser feito seria politicamente, através da política, de algum político que entenda a relevância, a importância que o Bar do Armando tem para a cidade de Manaus”, apelou a proprietária.
Durante a entrevista, a empresária questionou a inflexibilidade da Igreja, destacando que a instituição possui diversos outros prédios alugados para fins privados na mesma região, como hotéis e restaurantes. Para Ana Cláudia, a saída do Bar do Armando representa não apenas o fim do legado construído por seu pai, mas também um forte avanço na elitização do Largo de São Sebastião.
“O Bar do Armando é um bar popular, onde você entra e encontra a pessoa mais humilde sentada ao lado de um advogado, de um médico, de um desembargador”, defendeu a dona, alertando que muitos dos novos empreendimentos da área não são acessíveis a todas as camadas sociais.
Sobre o estabelecimento
Fundado pelo português Armando Soeiro, falecido há 14 anos, o local é reconhecido como o berço da Banda da Bica e faz parte da memória afetiva de sucessivas gerações de amazonenses. Mantendo a esperança na permanência do ponto cultural, Ana Cláudia deixou um recado final à população manauara.
“Não vamos deixar que mais um estabelecimento se feche nessa cidade, um estabelecimento que tem história”.
Confira um trecho da entrevista:
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