A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Eleitoral deflagraram, na manhã desta quinta-feira (1º), uma operação na sede da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e em endereços residenciais em Manaus. A investigação apura o suposto uso indevido da estrutura do órgão — incluindo veículos oficiais e servidores em horário de expediente — para beneficiar a campanha eleitoral do ex-secretário da pasta, coronel Marcus Vinícius Oliveira de Almeida, candidato a deputado estadual pelo Podemos.
Estrutura paralela e apreensão de dinheiro em espécie
A apuração conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF) indica que um automóvel oficial da SSP-AM estaria sendo utilizado continuamente ao longo da campanha, além do emprego de servidores públicos em atividades político-partidárias durante a jornada de trabalho. A investigação também identificou que um servidor sem afastamento formal atuaria na coordenação de comitê eleitoral e apontou a existência de um imóvel não declarado à Justiça Eleitoral, apontado como estrutura paralela de apoio à candidatura.
Diante das suspeitas de recursos financeiros não contabilizados — prática conhecida como caixa dois —, as equipes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. Durante as diligências na residência de um dos alvos, os agentes apreenderam cerca de R\$ 100 mil em espécie, valor que passará por perícia técnica e integrará o procedimento investigatório.
Devido à movimentação policial na sede da SSP-AM, os servidores foram liberados do expediente e o atendimento ao público no local acabou suspenso temporariamente.
Ex-secretário nega irregularidades e cita motivação política
Titular da pasta de Segurança Pública até março, quando se afastou do cargo para concorrer às eleições de 2026, o coronel Vinícius Almeida confirmou a realização de buscas em sua residência e na sede da secretaria.
Em posicionamento divulgado nas redes sociais, o candidato negou a prática de qualquer ilícito e afirmou confiar na apuração da Justiça Eleitoral.
O ex-secretário destacou seu histórico no serviço público e relacionou a operação ao cenário eleitoral. “Lá nós provaremos que nada estamos fazendo de errado, porque verdadeiramente não estamos”,declarou o candidato.
Ele acrescentou ter 32 anos de carreira sem acusações anteriores e completou: “Esse processo agora, volto a destacar, é eleitoral, é político, simplesmente isso. Na minha vida inteira eu não cometi crime, não seria agora”.
Atuação dos órgãos e alinhamento institucional
Em nota oficial, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) esclareceu que a medida cautelar de busca e apreensão foi solicitada pelo MPF após o envio de elementos apurados por setores do próprio órgão estadual.
O MPAM ressaltou que sua participação restringiu-se ao auxílio organizacional e à execução das medidas conduzidas pelo Ministério Público Eleitoral.
A Polícia Federal também se manifestou informando que atuou em apoio operacional ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e à equipe responsável pelas investigações.
Todo o material recolhido durante as diligências em Manaus permanecerá sob análise técnica dos peritos.







